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31 December 2004

O super-homem do Faustão

Tenho 63 anos e uma aposentadoria por invalidez. As poucas coisas que me restaram do tempo em que eu vivia foram os filhos, uma perna e a minha mulher, que hoje cuida de mim. Eu, que a desprezei tanto quando ainda tinha perspectivas de comer outras mulheres... Hoje estamos mais firmes do que nunca, e sei que o dó que ela sente é muito maior que a paixão que possa vir a sentir por outros homens. Pelo menos nisso eu estou tranqüilo.

São três crias. Carli, doce de menina, é bem casada e professora primária em Palmital. Sempre me liga. Diz que tem orgulho de mim. Moisés ainda não se deu com o trabalho, mas eu sei que o menino é bom e vai conseguir. Na verdade, o único que me causa desgosto é o Washington. Ele é o super-homem do programa do Faustão. Quando ligo a tevê aos domingos e vejo o meu filho, feliz, dando socos no ar e sendo captado pela câmera em travelling, juro que sinto vontade de morrer. Mais do que de matar. Sei que devemos amar o que não pode ser mudado, mas eu ainda estou longe dessa fase de auto-superação.

Eu odeio aquele gatafunho. Quando sai de casa, entro no seu quarto e perco vários minutos observando os pôsteres grudados à parede. Xuxa, João Kleber, Gugu, Márcia, Fausto Silva... esse tipo de coisa. Tenho vergonha da voz do menino, que é afeminada desde molecote. No começo eu negava, mas meus amigos conseguiram me convencer. Como se não bastasse, ele é uma dessas bichas autoconfiantes que, inspiradas em protagonistas de novelas da Globo, acham que para vencer na vida têm que se arriscar. A gente nunca deve desistir dos nossos sonhos, diz o veadinho, com uma silepse nominal tão reprovável quanto sua “profissão” e com o orgulho de quem tem o lugar-comum como sua terra natal.

Muitos pais, no meu lugar, se perguntariam: onde foi que eu errei? No meu caso, não há dúvida: foi nos fundos da casa de um amigo professor de Matemática, que convidara os conhecidos para um agradável churrasco. Por incrível que pareça, estou falando da única trepada que Cleide e eu demos antes do casamento. Uma molecagem, uma loucura, um pecado cuja gravíssima conseqüência pode ser conferida por qualquer um aos domingos, dias santos em que sempre pedirei perdão. Perdão, Deus. Perdão, Brasil.


Observação: o relato acima é fictício e não possui vínculo algum com a realidade.

Comments

7 comments
Déa Barone [desloguilson] wrote:

HAHAH
JURA que já chegou ao ponto de ter de explicar a veracidade dos textos? infame Tanga, adoro seu pseudo blog.
sucesso!

31 December 2004 at 05:24 PM
Bri [desloguilson] wrote:

hehhehhe ótimo o post e hj Srº Tanga!
Feliz Ano Novo heim!

parabéns pelo trabaho!!!

31 December 2004 at 06:58 PM
grota wrote:

cara,
por que incluir esta óbvia observação?
e como assim “... não possui vínculo algum com a realidade”?

01 January 2005 at 03:59 PM
Eduard [desloguilson] wrote:

Alô Tanga, acho que falta um pouco de humor na sua vida. Visite o meu blog. É o mais cômico da internet.

01 March 2006 at 04:15 AM
Claristela Dumont Santos e Araujo [desloguilson] wrote:

Peço-lhe por favor sepossivel for, uma psicografia do
meu filho CASSIUS DUMONT E ARAUJO. Encarnor 24/10/78
desencarnou e 16/12/2002
Agradecida.
Claristela Dumont

31 July 2006 at 06:50 PM
Claristela Dumont Santos e Araujo [desloguilson] wrote:

Sr.a data de nascimentode meu filho CASSIUS DUMONT ARAUJO foi 24/10/76 edesencarnou em 16/12/2004
Agradecida.
Claristela

31 July 2006 at 07:07 PM
eigon neri freitas [desloguilson] wrote:

fasutao pode para pas na golbo masi eu tou falendo comvoce gordo odeio voce niquei que voce masi mu araço eigon neri freitas

30 May 2008 at 09:48 AM

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